1º passo - Perceber o momento do dia que mais chamou sua atenção, pois ter a percepção do momento em volta faz pensar de forma adequada, ajudando a racionalizar os pensamentos em vez de simplesmente passar por eles sem percebê-los efetivamente. Anotamos as coisas mas não as aproveitamos. O momento que nos chamou a atenção poderá ter sido quando ouvimos sobre um desastre num noticiário qualquer ou vimos o mendigo abandonado nas ruas; ou foi ainda nossa preocupação com o parente doente ou quando estávamos atrasados para chegar em casa; ou quem sabe nossa raiva com o chefe intolerante ou nossa alegria pelo aumento recebido. Não importa. Precisamos perceber e ir além.
Assistimos as tragédias do dia a dia na TV, por exemplo; ficamos espantados, nos lamentamos, sentimos real tristeza pelo sofrimento das pessoas envolvidas e a seguir nos preparamos rapidamente para assistir a novela enquanto jantamos distraídos, já quase esquecidos dos acontecimentos; voltaremos a lembrar no próximo noticiário, quando voltaremos a nos lamentar e a criticar as autoridades envolvidas e assim sucessivamente.
Quando a tragédia é grande poderemos ouvir trinta vezes a mesma notícia ou suas decorrências dramáticas, mas nosso comportamento será sempre o mesmo: espanto, lamentação, tristeza, crítica, mudança de assunto. Geralmente nessa ordem. Isto é, não fazemos absolutamente nada que seja aproveitável. Não colaboramos em nada. No máximo falamos qualquer coisa do tipo:
_ Que deus ajude essa gente. Coitados _ mas não estamos realmente interessados. Apenas cumprimos o pequenino ritual que achamos ser nossa obrigação.
2º passo - Transformar esse momento numa oração na hora que acontece ou na hora possível. Isto nos toma apenas alguns instantes e significa ter uma atitude diferente, menos condicionada. No princípio só conseguimos fazer isso quando paramos para refletir ao final de nosso dia, mas já é um bom começo. O treinamento fará com que cada vez mais sejamos ativos durante o próprio decorrer do dia e não apenas naqueles poucos minutos preestabelecidos para nossas orações. Ativos e eficientes. Este é o real significado de viver em estado de prece. Daremos exemplos reais de como fazer isso.
3º passo - Chegar à libertação de nossos condicionamentos, isto é, parar de pensar o que os outros queriam ou ainda querem que pensemos. Alguns eventos causam grande comoção, às vezes a nível nacional. Se nos engajamos na indignação, como já vimos acontecer tantas vezes, com as pessoas gritando em frente a delegacias, por exemplo, não estamos indo a lugar nenhum, nos tornamos marionetes e não auxiliamos em nada aquele momento do universo. Passamos a ser meros retransmissores das raivas alheias, além de colher medos diversos. Podemos até estar sendo proativos, porém pouco eficientes.
Exemplo:
O filho passa na volta da escola, com dores de estomago e vômitos. Os pais atenciosos passaram a tarde e parte da noite a seu lado para confortá-lo e dar-lhe os remédios. Nem foi à escola no dia seguinte. Embora lentamente ele melhorou e todos ficaram felizes. E logo esqueceram o fato. Deixaram passar aquele importante acontecimento, que obviamente chamou muito a atenção naquele dia.
O que poderia ter sido feito para transformar o episódio numa oração? Os pais simplesmente poderiam ter observado os seguintes passos:
- percebido o inusitado do fato.
- tentado pensar nas causas subjetivas; naturalmente notaram nas conversas da tarde e noite causas possíveis, como, por exemplo, o fato do menino ter comido demais no jantar do dia anterior, mas não cogitaram as razões desse comportamento absolutamente incomum nele. Estaria o menino nervoso por alguma razão? Preocupado? Triste?
- ao conseguir imaginar uma razão verdadeira, que em geral é subjacente ao observado, poderiam ter agido de forma ainda mais eficiente, além da medicação necessária.
- aí então poderiam ter disponibilizado para o filho o que mais fosse necessário: saúde, bom senso para entender que comer demais não resolve os problemas, tranquilidade ou o que mais fosse preciso.
O fato é que se não nos questionarmos sobre o que está acontecendo em nossas vidas, por que está acontecendo, desde a mais simples dor de barriga até uma briga em família, por exemplo, jamais tomaremos boas decisões e, portanto, também não nos libertaremos de nossos condicionamentos, medos e sofrimentos desnecessários.
A percepção mais apurada da ocorrência, com sua consequente reação, teria sido então uma boa oração do dia de hoje, voltada para a situação que chamou a atenção naquele dia em especial e que não precisaria ser feita na hora de dormir. Feita em qualquer momento possível seria igualmente eficiente.
Mas, como se faz isso? Por qual razão este tipo de oração é mais eficiente? O que é disponibilizar?
Disponibilização
Esta forma de oração é mais eficiente porque não se fica apenas rogando ou pedindo que seres invisíveis façam algo, que ajudem, curem, etc. É obvio que durante o processo a mãe do garoto da história relatada acima rezou bastante para sua melhora. Ser mais eficiente, aprender a disponibilizar, nada tem a ver com perder a fé ou deixar de acreditar naquilo que se acredita, seja em Deus ou nos guias, nos santos, em forças superiores, não importa.
Trata-se apenas de aprender a fazer melhor a parte que nos compete.
Nos esquecemos das palavras de Cristo, por exemplo, que disse coisas do tipo:
- Sois deuses!
Ou ainda:
- Podeis fazer os mesmos milagres que eu faço.
Embora aos nossos ouvidos desatentos possa parecer uma heresia pretensiosa, temos as mesmas possibilidades de ajudar, curar, fazer pequenos ou até mesmo grandes milagres e para isso basta que este tipo de ação se torne fácil, corriqueira e diária para nós. Isso se consegue com o treino e com o coração. Um sem o outro não alcança a eficiência possível.
Disponibilizar, tentando colocar em palavras simples, é uma oferta de emoção direcionada pelo cérebro. Lembrando da fala divertida da entidade sobre nossas preces não passarem do teto, toda a eficiência se daria apenas quando usássemos a linguagem compreendida pelo universo, que é a da emoção sem palavras.
Inicialmente ela é direcionada pelo cérebro, pois só muito treinamento pode permitir que ela se dê naturalmente, instantaneamente, quando percebemos a necessidade. Ao ouvirmos a notícia de um desastre natural, um terremoto, por exemplo, podemos disponibilizar àquelas pessoas atingidas, tanto às vitimas quanto a seus entes queridos, o que elas devem estar precisando naquele momento. Cada situação pode requerer uma disponibilização diferente. Pode ser analgesia, que é o alívio da dor, para os feridos; serenidade e determinação para esperar o resgate; esperança para as famílias; paz para todos os envolvidos.
E como se faz isso sem ser através das emoções, do amor desinteressado ao próximo? Aquele amor que nos possibilita disponibilizar sem nos importarmos em saber dos resultados? Sim, porque gostamos muito de ver como somos bonzinhos e de como nossas ações são eficientes. Ficamos irritados ou frustrados e até mesmo deprimidos quando nossos esforços não surtem os efeitos previstos.
_ Como é que a saúde do fulano não melhora se faço tanta vibração para ele?
_ Por que meu filho não entra na faculdade se me sacrifico tanto?
_ Qual a razão daquele conflito não ter fim se peço tanto a Deus por isso?
Isso para não falar que seria mesmo uma maravilha saber que somos milagreiros. Bem, sem o amor desinteressado, simplesmente, não se faz nada. Não se faz pois nessas ações paralelas estariam envolvidos nosso desejos, aqueles movidos pelo nosso cérebro e não mais pelo nosso coração.
No caso da mãe do menino doente, ao disponibilizar saúde e tranquilidade para seu filho através de seu coração, impulsionado pelo cérebro num primeiro momento, ela poderia ir aprendendo também a incluir na cura que tenta promover todos os demais meninos que estejam passando pela mesma dor, onde quer que estejam. Ela jamais saberá se seu amor desinteressado atingiu qualquer um deles, mas isso não importa de verdade. O que importa é sua ação no universo, intervindo e modificando de forma eficiente.
Pode até ser que seu filho não melhore, mas lá do outro lado do mundo, numa cabana qualquer de um acampamento de refugiados, um outro garotinho com o mesmo problema melhora de forma surpreendente, sem dispor de nenhuma medicação. Isso se dá porque a própria palavra está dizendo: disponibilização. Isto é, disponibilizamos uma cura, tornamos a saúde disponível naquele momento e naquela situação em particular, o que permite que aproveite quem quiser ou puder. Não somos nós, portanto, quem curamos. A pessoa que recebe nossa emoção amorosa é que a aproveita e promove para si o necessário.
Alguém certamente vai pensar, de forma cética:
_ Mas, do outro lado do mundo? Ah! Essa não!
Isso se dá porque as pessoas estão acostumadas a pensar em energia, aquela que é periódica, limitada e tangível. Quando falamos em emoção, todavia, falamos de algo quântico, aquilo que existe e age de forma perene independente do tempo e do espaço. A energia dissipada em nossas emoções, aquela que pode ser mensurada, nada mais é que a consequência metabólica por elas provocadas em nosso corpo denso em função de provocarem descargas hormonais. Apenas uma reação que não representa a emoção em si mesma.
Voltando ao episódio do menino doente, como se pode notar, disponibilizar requer a ausência absoluta de arrogância e egoísmo, isto é, humildade e generosidade; receber, por outro lado, requer vontade própria, a menos que a pessoa não seja capaz, como uma criança muito pequena ou uma pessoa deficiente ou inconsciente ou até mesmo um animal.
Quando falamos vontade própria, trata-se também de uma linguagem do coração, pois muitas pessoas não estão simplesmente preparadas para receber. É claro que ninguém que sofre vai dizer que não quer alívio, mas o coração muitas vezes não consegue se abrir para receber, por um sem número de motivos que não viria ao caso detalhar agora. Isso não significa que a pessoa seja má ou algo parecido. Apenas não está preparada, naquele exato momento, para receber aquela emoção, aquela ajuda auxiliar. Pode ser que no momento seguinte tudo se modifique.
Além disso é mais que óbvio que o menino no distante acampamento de refugiados não estava pensando que alguém do outro lado do mundo estava orando por ele. Nem ele e nem ninguém poderia saber disso. O que interessa é a vontade sincera e desprovida de altivez de receber auxílio. Parece absurdo, mas muita gente não se interessa mesmo, arraigada a seus costumes e aos lucros secundários dos próprios problemas. É sempre bom lembrar que no exemplo em questão falamos em saúde física, mas poderia ser de outra natureza: emocional, espiritual, etc.
No modismo transitório das coisas de cada tempo, observamos que ao tomar conhecimento da possibilidade de intervenção no universo, algumas pessoas divulgaram em verso e prosa nossa capacidade de fazer as coisas acontecerem. Coisas, todavia, movidas apenas pelos nossos desejos, como prosperidade, bens materiais, parceiros românticos, etc. Ao assistir uma palestra proferida num extenso workshop pelo famoso físico quântico Amit Goswami, folgamos ao ouvir sua resposta bem humorada quando questionado a respeito dos inúmeros livros que foram escritos sobre os segredos de nossas novas e incríveis aptidões.
Ele respondeu com um exemplo para lá de divertido:
_ Bem, se você acha que vai fazer acontecer um automóvel novo em sua vida apenas com a força de seu pensamento, pode esquecer. O máximo que você vai conseguir é a vaga na rua para um dia ele estacionar. Já para o automóvel, vai ter mesmo que se esforçar, suar a camisa e trabalhar.
Voltando aos milagres possíveis a observação mais comum que ouvimos é o quanto é difícil entrar em contato com determinados sentimentos ou necessidades para poder traduzi-los em emoções. Por exemplo, como disponibilizar esperança e força aos desamparados ou sabedoria aos desencaminhados? Como disponibilizar generosidade aos egoístas ou paciência aos que sofrem? Como disponibilizar amor?
Quando se trata de dores físicas, por exemplo, podemos até entrar em contato com as cores, como a verde, cujas emanações de saúde poderíamos captar com facilidade. É importante lembrar, como já foi dito, que disponibilização nada tem a ver com vibração ou energia. O objetivo de se pensar, como treinamento, na cor da saúde é apenas para tomarmos contato com o que ela representa, buscando em nossos corações, enquanto distribuímos essa cor pelas pessoas ou locais atingidos, uma compaixão verdadeira por aqueles desconhecidos. A emoção que acompanha a compaixão será então traduzida por um amor maior e disponibilizado num segundo momento.
Já vimos pessoas de boa fé se sentarem compenetrados após saberem de alguma calamidade voltando as palmas das mãos para cima, em pose aprendida, achando que estão enviando boas vibrações para os necessitados; via de regra acrescentam um pequeno e bem intencionado discurso, seja ele verbalizado ou não, para que tal e tal pessoa ou cidade seja beneficiada, para que os governantes prestem mais atenção no povo sofrido, etc. Infelizmente é algo pouco ou nada eficiente para interferir no universo, pois, primeiro se observa que a pessoa está apenas manifestando os desejos de seu cérebro físico, num discurso com mais raiva que amor e segundo, insistimos, que disponibilização não tem a ver com a doação limitada e passageira de energia. A única coisa que se salva nesse tipo de atitude é o sentimento genuíno subjacente de amor, se houver, e que será disponibilizado quando a indignação não for preponderante.
Para aprendermos a linguagem das emoções um truque simples é usarmos imagens mentais de pessoas que simbolizam, em nossos sistemas de crenças, determinados sentimentos. Basta que nos lembremos de pessoas, parentes, avatares, santos, não importa, desde que sua simples lembrança desperte em nós o sentimento que buscamos. Por exemplo, quando queremos disponibilizar generosidade poderíamos, quem sabe, pensar em pessoas como Madre Tereza de Calcutá. Ou quando precisamos de sabedoria lembrar de Gandhi ou do Dalai Lama. Quando a percepção for para disponibilizar bondade que tal lembrarmos de um pai ou mãe que representa essa virtude em nossos corações?
Pessoas que trabalham com cromoterapia costumam dizer que quando conseguimos resgatar a imagem mental de uma cor a temos em nós e podemos então usá-la. Usam muitas vezes cartões coloridos para auxiliar nisso. Ora, com os sentimentos é a mesma coisa. Já que não temos cartões para criar em nosso interior determinada emoção, podemos usar pessoas para servirem de trampolim nesse resgate.