1. Sou viúvo há muitos anos e crio sozinho meus filhos adolescentes. Desde pequeno, sempre tive certeza de que nunca estava sozinho, mesmo brincando. Notei que meu fardo, em relação à família, é um pouco pesado mas não estou reclamando. Há alguns anos descobri a umbanda e nela me encontrei. Infelizmente recebi, geneticamente, o problema de alcoolismo de minha família, mas não o quero mais em minha vida, pois sei que isso atrapalha o desenvolvimento de minha mediunidade. Mas é incontrolável, mais forte que tudo e acabo bebendo nas horas de folga. Fico arrependido e me achando fraco. Pergunto: isso é apenas uma fraqueza pessoal ou pode haver algum espírito que nestas horas me domina? O mais interessante é que detesto bares.
Gostaríamos de esclarecer, se o amigo permite, que o alcoolismo não é uma doença hereditária. Acreditar nisso seria completamente contra os preceitos da umbanda, onde estamos submetidos à lei maior de causa e efeito.
Seria como transferir para nossos familiares uma parte da nossa responsabilidade, como as nossas dores. Se por um lado é confortador pensarmos que é genético, por outro nos tira completamente a possibilidade de resolvermos o problema, pois ele nos foi "passado". Isso vira quase uma "maldição" e nosso Pai Maior, em sua justiça suprema, não permitiria esse tipo de coisa.
Carma é aquele de nascimento: o lugar que nascemos, a família, nossa cor, nosso sexo, nossa inteligência, a perda de uma esposa, etc. Problemas de percurso, como alcoolismo, por exemplo, não.
As causas desse tipo de problema, geralmente, são de dois tipos: primeiro devemos verificar que tipo de coisa estamos querendo acalmar ou "esquecer" ou amenizar, nos escondendo atrás de um vicio qualquer (quer dizer, alcoolismo não é o problema, é só uma decorrência - o verdadeiro problema é a dificuldade de nossos espíritos de lutarem contra as frustrações da vida - nos achamos fortes, mas às vezes não o somos suficientemente e aí nosso fardo, mesmo inconscientemente, começa a pesar... e aí, também inconscientemente, procuramos coisas para anestesiar a nossa dor); em segundo lugar não podemos nos esquecer nunca que dentro da lei justa da causa e efeito, não podemos ser ingênuos e achar que nunca fizemos mal a ninguém em outras vidas.
E se fizemos, todos nós, naturalmente, temos que admitir que uma ou outra de nossas vítimas podem não ter nos perdoado e, hoje, querem mais é nos prejudicar, o que é fácil; é só por o dedo na ferida, dando intuições negativas, do tipo "...mas é incontrolável, mais forte que tudo e acabo bebendo..." Tudo o que fazemos, sentimos ou pensamos, que não é razoável, não é nosso.
Portanto, você precisa fazer uma reforma interior no sentido de se resignar com seu fardo, de verdade, se irritar menos (pois a irritação abre as brechas para os desafetos se aproximarem), mesmo que veladamente, pois a vida nunca é exatamente do jeito que sonhamos e, ao mesmo tempo, precisa de um trabalho de desobsessão, pois, obviamente, existem irmãozinhos menos esclarecidos a atormentar você.
2. Não consegui me formar nos cursos que tentei e meu casamento não deu certo; no campo profissional não consigo dar certo. Vivo sendo humilhado e meus filhos vivem brigando. Outro filho vive deprimido e não luta o suficiente pela vida. Vivo sozinho e não consigo ninguém. Quero muito continuar estudando para melhorar meu trabalho e minha vida mas não consigo meios. Não agüento mais tantas dificuldades e peço uma orientação sobre o que fazer para resolver isso tudo.
Infelizmente a proposta deste site não é dar orientações de nível pessoal, até porque na FGC somente quem faz isso são as entidades manifestadas na casa. Como encarnados não temos condições de saber do carma das pessoas e por qual razão estaríam passando pelas dificuldades e contratempos que a vida nos apresenta.
Apenas compreendemos que nossas vicissitudes parecem estar na relação direta da necessidade de nossso aprendizado pessoal. Isto é, parece que cada um de nós vem para mais uma vida com um planejamento familiar, intelectual, de saúde, etc, que propicie que passemos por umas tantas dificuldades para aprender aquelas coisas que fomos deixando ao largo, para trás, no decorrer de vidas anteriores. Nos referimos aos nossos pequenos defeitos; aqueles que certamente todos temos.
Alguns de nós vieram para aprender a ser menos invejosos ou ciumentos, ou mais generosos ou menos rancorosos, ou quem sabe ainda mais tolerantes e pacientes, resignados, etc, etc. O fato é que o Pai Maior vai nos proporcionando sucessivas oportunidades, inclusive colocando pessoas, por vezes, tidas como difíceis na nossa vida, que deveriam despertar nossa compaixão e tolerancia e não nossa irritação, etc. Oportunidades de resgatar os enganos do passado também.
Mas com fé e determinação, com certeza, seremos todos aprovados de ano nesta escola da vida, quando pudermos compreender e transformar nossos problemas em oportunidades de aprendizado.
Temos que ter esperança de que, com certeza, nossos amigos espirituais estão olhando por nós, intuindo e torcendo para que tomemos as decisões certas; intuindo e torcendo para possamos despertar a cada dia alegres, apesar de tudo; apesar da dor passageira, apesar da incompreensão momentanea dos homens e apesar das aparentes injustiças e limitações que a vida parece nos impor.
Alegres porque já compreendemos que tudo aquilo que nos acontece, se acreditamos verdadeiramente em Deus e em seus desígnios, nestes breves momentos que passamos sobre o planeta, certamente o que passamos é o melhor para nós neste momento.